Resumo do webinar "Empreender em Comunicação: os desafios do mercado". - Por Beatriz Flores

 Empreender em Comunicação: os desafios do mercado 

Webinar | AO VIVO | 25 de março às 11h 

Com a pandemia, as redações jornalísticas cada vez mais enxutas e um mercado cada vez mais dinâmico, o empreender na comunicação, seja a partir da criação de microagências, agências boutique e eugências, tem se tornado uma alternativa para muitos profissionais. Como os profissionais da área da Comunicação enxergam esse movimento? 



- Resumo: Beatriz Flores
 

O evento foi apresentado por Fábio Rios, CMO da Knewin. No início, teve uma apresentação sobre o tema “Empreendedorismo em comunicação”. O evento teve duração de 1h05 e as pessoas podiam mandar mensagens pelo chat do YouTube, fazer perguntas, e os participantes iriam responder ao longo da conversa. Fábio Rios introduziu os dois convidados: Bruno Pinheiro e Claudia Zanuso. Logo após, ambos se apresentaram.  


Fábio Rios começou falando um pouco sobre o contexto de pandemia, que as redações jornalísticas estão cada vez mais enxutas e o mercado que está cada vez mais dinâmico. O empreender na comunicação tem se tornado uma alternativa muito grande para os profissionais. Claudia Zanuso diz que enxerga esse movimento de forma positiva, e que o mercado de Comunicação está sempre crescendo  


Bruno Pinheiro diz que a sua geração foi a primeira, ou talvez a segunda que passou a enxergar o empreendedorismo como uma porta de saída para os anseios que temos. “Então, esse ‘boom’ do ano passado que teve do surgimento de várias agências, eu acho que tem como primeira explicação, a geração, o comportamento geracional dos milênios, da geração X que  entrando agora no mercado, de ser muito mais aspiracional no ponto de vista de autonomia e independência. Mas, tem uma outra explicação também, que é a mudança do comportamento de mídia de uma certa forma, a gente tem visto a diminuição dos espaços de mídia e a diminuição dos cargos de mídia, afirma.   


O participante, Valtemir Mineiro fez uma pergunta: Bruno, com as mudanças ocorridas nas mídias tradicionais, ainda possível falar em Assessoria de Imprensa? 


Pinheiro respondeu que mais do que nunca é necessário falar de assessoria de imprensa. E que não tem a menor dúvida de que assessoria de imprensa é essencial e continuará sendo. Disse que o importante é a assessoria de imprensa entender quem é o jornalista hoje, não é o jornalista de 5, 6 anos atrás, pois ele mudou, a rotinaa abordagem, os materiais, o padrão de mídia, tudo mudou.    


Fábio Rios disse que a gente sabe que empreender, especialmente em comunicação não são apenas flores, não é um negócio tão simples. Ele perguntou para Claudia Zanuso, quais são os desafios que o profissional pode encontrar na trajetória do empreendedorismo?  


Zanuso disse que tem muita coisa para ponderar nesse aspecto. Empreender não basta você ser muito bom tecnicamente na sua área de formação, exige que você tenha competências de gestão, administração, financeiras, que você acompanhe quadros macroeconômicos, ter acesso a informações que vão fazer com que seu negócio seja melhor sucedido e consiga se encaixar no mercado. “A velocidade de mudança as vezes assusta a gente, mas você fazendo um esforço, você consegue colocar um ‘pezinho’ ali, consegue acompanhar, declara 


Já Pinheiro, falou que existe um déficit absurdo entre aquilo que é ensinado na academia e aquilo que a gente tem que praticar no mercado. Expõe que o profissional de antigamente, não está preparado para empreender, especialmente no Brasil, que é um labirinto para quem quer empreender. Revela que é preciso desmistificar ou desglamourizar o empreendedorismo, porque não é fácil, não é um mar de rosas e que nos dois primeiros anos, a taxa de mortalidade de empresas é muito alta, porque a pessoa não entra preparada para o mercadoAfirma que o novo perfil de profissional de comunicação também precisa estar antenado para o novo tipo de marketing que é feito. “O profissional de comunicação precisa estar antenado para isso[...]. Se preparar para entrar nessa jornada é fundamental”, afirma Bruno.  


O participante Ladislau Saldanha disse: A Claudia comentou um ponto fundamental, que é a formação do empreendedor, em Gestão de negócios. Na comunicação esse ponto é mais desafiador?! Tem cursos e modelo de Business Plans para agências?!  


Bruno respondeu que “não conheço ninguém que ensine a fazer Business Plans para comunicação. [...]. Mas, uma das coisas que eu aprendi, depois de 12 anos falando com milhares de empreendedores é que a graduação, ela não tem impacto no teu dia-a-dia tanto quanto aquilo que você como conhecimento empírico adquiriu no mercado. Então, fazer um Business Plans hoje, não depende daquilo que você aprendeu no curso ou na faculdadeta muito mais fácil hoje em dia se conectar com alguém e absorver o conhecimento dessa pessoa, ter uma rede de mentores [...]”, declarou.  


A participante Tatiana Rheinheimer, disse que: Ainda vejo muita desvalorização dos serviços de comunicação, uma dificuldade de ser bem remunerado por isso, pois as empresas ainda tentam ter "soluções caseiras". Como vocês lidam com isso? 


“[...] Eu vejo muito mais a dificuldade de fato na concorrência, na comparação no mercado do que propriamente quando eu  dentro da minha estrutura e preparando a minha proposta. Na verdade, eu não sinto dificuldade nenhuma em preparar a minha proposta e sei quanto custa o serviço, porque eu tenho essa consciência da qualidade do que eu vou entregar e do compromisso que eu  assumindo em bem representar [...]”, respondeu Claudia. 


Bruno Pinheiro disse que acredita no livre mercado, porque cada um faz o seu preço, cada um tem que saber quanto custa o que faz e oferecer e brigar por ele. “Eu não vou desvalorizar o meu serviço por falta de conhecimento de quem contrata, muito pelo contrário, eu vou continuar brigando pelo meu serviço, para mostrar valor, para valorizar”afirma 


    Fábio Rios conta que recentemente estava lendo sobre a questão do Burnoutque a Organização Mundial da Saúde deve trazer como uma das grandes doenças, e vai entrar para a lista dos problemas globais, isso já era mencionado, mas vai vir agora com um rótulo mais pesado de doenças. Ele conta que ao empreender, por um lado deixa de ter a receita naquele volume “acordado” e por outro lado, ganha custos e não necessariamente tem a garantia da receita e isso, gera uma série de preocupações.  


    Zanuso diz que já viveu e que é uma insegurança tremenda. “Não coloca em primeiro lugar a questão da receita logo de cara, porque você vai se frustrar muito”, afirmaA insegurança é grande, então você tem que começar a pensar em que tipo de serviço você presta rápido e, portanto, você vai ter uma entrada de receita rápida tambémE o tipo de serviço, se é mais de médio a longo prazo.  

  

    Pinheiro fala que se você olhar, para o cenário do empreendedorismo no Brasil, você tem três certezas: 1 – o Brasil não é um país convidativo para quem quer empreender2 - não existe glamour no empreendedorismo e, 3 - não pode empreender as vezes, porque na maioria das vezes é um ato muito solitário. “O mais importante, conte com uma rede de apoio”, assegura 
 

Livros indicados: De zero a um - Peter Thiel; Pense Simples - Gustavo Caetano; Bora Vender - Alfredo SoaresAs seis lições - Ludwig von Mises; A revolta de Atlas - Ayn Rand; The Hard Thing About Hard Things Ben Horowitz e o Radical Candor – Kim Scott.  

 

“Quem está empreendendo acredite no seu negócio, procura simplificar essa conversa, para que o teu interlocutor possa entender o que você faz [...]”, diz Claudia Zanuso. 

“Empreendam com responsabilidade. Se prepara, estuda, seja responsável”, finaliza Bruno Pinheiro.  


Fonte: 

Evento - https://www.youtube.com/watch?v=P7GYKiZfymU&list=WL&index=2&t=3073s 


 

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