Crise na Petrobras após intervenção do presidente Jair Bolsonaro. - Beatriz Flores


Crise na Petrobras após intervenção do presidente Jair Bolsonaro  


- Por Beatriz Flores 



Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo   

            No início de janeiro deste ano, grupos de caminhoneiros estavam preparando paralisação para o dia 1o de fevereiro. De acordo com a Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), o principal motivador da greve era a alta do preço do diesel, que teve aumento de 4,4% nas refinarias no final de dezembro e é o combustível principal utilizado por caminhoneiros. Também foi reivindicado uma revisão no reajuste na Tabela do Piso Mínimo de Frete, realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para o transporte rodoviário de carga.  

Bolsonaro fez apelo aos caminhoneiros para não fazerem greve. “Reconhecemos o valor dos caminhoneiros para a economia, apelamos para eles que não façam greve, que todos nós vamos perder”, pediu o presidente.   


Presidente Jair Bolsonaro. (Reprodução: redes sociais) 


Bolsonaro falou que procurou a Petrobras. Disse que ouviu do presidente da empresa, Roberto Castello Branco, que a cotação acompanha o valor internacional e que a gasolina interna (Brasil) é mais barata do que em três países do Brics: Rússia, Índia e China, desconsiderando a África do Sul. “Fui em cima da Petrobras, mas não interferimos [na] política de preços”, disse, e acrescentou que pediu a redução de PIS/Cofins à Receita, mas entendeu que não tem como. “É vestir um santo e cobrir outro”, comparou.  


Desde o início deste ano, a Petrobras vem fazendo sucessivos reajustes de preços de combustíveis.  Os frequentes aumentos vinham gerando insatisfação entre os caminhoneiros, que estavam pressionando o governo Bolsonaro para frear a alta nos preços dos combustíveis. Mas, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que a ameaça de greve dos caminhoneiros não era problema da Petrobras. "Este é um problema que não é da Petrobras", afirmou Castello Branco.  



Roberto Castello Branco (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil) 
 

Bolsonaro reagiu sobre a fala de Castello Branco. Em transmissão pelas redes sociais, ele disse que “obviamente” teria consequências. O presidente também criticou o reajuste dos combustíveis decidido pela Petrobras. Em um evento em Pernambuco, Bolsonaro voltou a falar sobre o aumento dos combustíveis, e de possíveis mudanças na estatal. "Anuncio que teremos mudanças, sim, na Petrobras. Jamais vamos interferir nessa grande empresa, na sua política de preço, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes", afirmou.  


O presidente Bolsonaro afirmou que o governo indicou o general Joaquim Silva e Luna (atual diretor da Itaipu Binacional) para substituir o cargo do atual presidente da Petrobras. Ele também vai atuar no Conselho de Administração da estatal. "O governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como Conselheiro de Administração e Presidente da Petrobras, após o encerramento do ciclo, superior a dois anos, do atual presidente, senhor Roberto Castello Branco", diz a nota, assinada pelo Ministério de Minas e Energia. 

 


General Joaquim Silva e Luna. Foto: Alan Santos/PR 


Com a interferência de Bolsonaro na Petrobras, a companhia entrou em crise. A crise é um evento não rotineiro, inesperado e repentino, que cria incertezas, ameaça os objetivos prioritários da organização, pode causar prejuízos financeiros e corroer a reputação corporativa.  


No caso da estatal, a crise trouxe prejuízos financeiros, pois o mercado reagiu negativamente. Houve uma intensa queda na bolsa de valores, a Petrobras perdeu quase R$ 100 bilhões em valor de mercado. No exterior, os papéis da empresa que são negociados na bolsa dos Estados Unidos também caíram forte. Os papéis recuaram cerca de 17%. Diante da preocupação sobre a interferência de Bolsonaro em estatais, outras empresas foram afetadas, ações do Banco do Brasil (BBAS3) e da Eletrobras (ELET3 e ELET6) tiveram reação negativa.  


O atual presidente da estatal iria deixar a empresa no dia 20 de março deste ano, quando seu mandato venceria e poderia ser renovado, mas ele aceitou ficar mais alguns dias até que o general Silva e Luna tenha o nome aprovado para comandar a empresa. Porém, na véspera da saída de Castello Branco, quatro diretores da Petrobras anunciaram que pretendem deixar a companhia junto com o ainda presidente.  


O Comitê de Pessoas da Petrobras aprovou o nome do general Joaquim Silva e Luna para o cargo de membro de Conselho de Administração e presidente da estatal. Mas, para assumir o cargo, Silva e Luna precisa do aval dos acionistas, que vão se reunir no dia 12 de abril. Até essa ocasião, Castello Branco e os demais membros da direção devem continuar nos cargos de forma interina.  


Comentários